terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
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domingo, 16 de dezembro de 2018
METAIS PESADOS E SUAS TOXIDADES
Metais pesados e suas toxidades, artigo de Roberto Naime
Os metais pesados diferem de outros agentes tóxicos porque não são sintetizados nem destruídos pelo homem
[EcoDebate] A primeira lembrança que se materializa quando se fala em metais é a visão da tabela periódica dos elementos químicos, inicialmente desenvolvida pelo russo Gregor Mendeleiev.
Metais integram a tabela periódica dos elementos químicos e talvez sejam os agentes tóxicos mais conhecidos pelo homem. Já em antigas eras, grandes quantidades de chumbo eram obtidas de minérios, como subproduto da fusão da prata e este provavelmente tenha sido o início da utilização desse metal pelo homem.
Os metais pesados diferem de outros agentes tóxicos porque não são sintetizados nem destruídos pelo homem. Constituem elementos naturais. No entanto, a atividade industrial diminui significativamente a permanência desses metais nos minérios, bem como a produção de novos compostos, além de alterar a distribuição desses elementos no planeta.
A presença de metais muitas vezes está associada a fatores geológicos como tectônica de placas e evolução de plataformas estáveis e zonas de subducção continental.
Todas as formas de vida são afetadas pela presença de metais dependendo da dose e da forma química. Muitos metais são essenciais para o crescimento de todos os tipos de organismos, desde as bactérias até mesmo o ser humano, mas são requeridos em baixas concentrações e podem danificar sistemas biológicos se ocorrer demasiada exposição.
Os efeitos tóxicos dos metais sempre foram considerados como eventos de curto prazo, agudos e evidentes, como ocorre com a anúria, que é a supressão de urina, e a diarreia sanguinolenta, decorrentes da ingestão de mercúrio.
Atualmente, ocorrências a médio e longo prazo são observadas, e as relações causa-efeito são pouco evidentes e quase sempre subclínicas. Geralmente esses efeitos são difíceis de serem distinguidos e perdem em especificidade, pois podem ser provocados por outras substâncias tóxicas ou por interações entre esses agentes químicos.
A manifestação dos efeitos tóxicos está associada à dose, e pode se distribuir por todo o organismo, afetando vários órgãos, alterando os processos bioquímicos, as organelas e membranas celulares.
Pessoas idosas e crianças são mais susceptíveis às substâncias tóxicas. As principais fontes de exposição aos metais tóxicos são os alimentos, com elevados índices de absorção gastrointestinal.
Em adição aos critérios de prevenção usados em saúde ocupacional e de monitoramento ambiental, o bio-monitoramento tem sido utilizada como indicador biológico de exposição, e toda substância ou seu produto de bio-transformação, ou qualquer alteração bioquímica observada nos fluídos biológicos, tecidos ou ar exalado, que mostre a intensidade da exposição ou a intensidade dos seus efeitos.
Tem ocorrido a contaminação de adultos e crianças em lotes e vivendas residenciais, com metais pesados, principalmente por chumbo e mercúrio. Contudo, a maioria da população não tem informações precisas sobre os riscos e as consequências da contaminação por esses metais para a saúde humana.
O arsênico é um metal de ocorrência natural, sólido, cristalino, de cor cinza-prateada. Exposto ao ar perde o brilho e resulta em sólido amorfo de cor preta. Este metal é utilizado como agente de fusão para metais pesados, em processos de soldagens e na produção de cristais de silício e germânio.
O arsênico é usado na fabricação de munição, ligas e placas de chumbo de baterias elétricas. Na forma de arsenito é usado como herbicida e como arsenato, é usado nos inseticidas.
No homem produz efeitos nos sistemas respiratório, cardiovascular, nervoso e hematopoiético. No sistema respiratório ocorre irritação com danos nas mucosas nasais, laringe e brônquios.
Exposições prolongadas podem provocar perfuração do septo nasal e rouquidão característica e, a longo prazo, insuficiência pulmonar, traqueobronquite e tosse crônica.
No sistema cardiovascular são observadas lesões vasculares periféricas e alterações no eletrocardiograma. No sistema nervoso, as alterações observadas são sensoriais e polineuropatias, e no sistema hematopoiético observa-se leucopenia, que é a redução do número de leucócitos no sangue para níveis inferiores aos considerados normais e efeitos cutâneos e hepáticos.
Tem sido observada também a relação carcinogênica do arsênico com o câncer de pele e brônquios.
O chumbo é utilizado há mais de 4 mil anos sob várias formas, principalmente por ser uma fonte de prata. Antigamente, as minas de prata eram de galena que é minério de chumbo, um metal dúctil, maleável, de cor prateada ou cinza-azulada, resistente à corrosão.
Os principais usos estão relacionados às indústrias extrativa, petrolífera, de baterias, tintas e corantes, cerâmica, cabos, tubulações e munições.
O chumbo pode ser incorporado ao cristal na fabricação de copos, jarras e outros utensílios, favorecendo o seu brilho e durabilidade.
Compostos de chumbo são absorvidos por via respiratória e cutânea. Os chumbos tetraetila e tetrametila também são absorvidos através da pele intacta, por serem lipossolúveis, que quer dizer solubilidade nas moléculas de gordura.
O sistema nervoso, a medula óssea e os rins são considerados órgãos críticos para o chumbo, que interfere nos processos genéticos ou cromossômicos e produz alterações na estabilidade da cromatina em cobaias, inibindo reparos de óxido desoxirribonucléico (DNA) e agindo como promotor do câncer.
A relação chumbo e das síndromes associadas ao sistema nervoso central depende do tempo e da especificidade das manifestações. Ocorrem várias síndromes relevantes.
O cádmio é encontrado na natureza quase sempre junto com o zinco na maioria dos minérios e solos. É um metal que pode ser dissolvido por soluções ácidas e pelo nitrato de amônio.
Quando queimado ou aquecido, produz o óxido de cádmio, pó branco e amorfo ou na forma de cristais de cor vermelha ou marrom.
Quando queimado ou aquecido, produz o óxido de cádmio, pó branco e amorfo ou na forma de cristais de cor vermelha ou marrom.
É obtido como subproduto da refinação do zinco e de outros minérios. A galvanoplastia que é o processo eletrolítico que consiste em recobrir um metal com outro, é um dos processos industriais que mais utiliza o cádmio.
O homem se expõe na fabricação de ligas, varetas para soldagens, baterias de Níquel e Cádmio, varetas de reatores, fabricação de tubos para TV, pigmentos, esmaltes e tinturas têxteis, fotografia, litografia e pirotecnia, estabilizador plástico, fabricação de semicondutores, células solares, contadores de cintilação, retificadores e lasers.
O cádmio existente na atmosfera é precipitado e depositado no solo agrícola. Rejeitos não-ferrosos e artigos que contêm cádmio contribuem para a poluição ambiental.
Outras formas de contaminação do solo são através dos resíduos da fabricação de cimento, da queima de combustíveis fósseis e lixo urbano e de sedimentos de esgotos.
Na agricultura, uma fonte direta de contaminação pelo cádmio é a utilização de fertilizantes fosfatados. Sabe-se que a captação de cádmio pelas plantas é maior quanto menor for o pH do solo. Nesse aspecto, as chuvas ácidas representam um fator determinante no aumento da concentração do metal nos produtos agrícolas.
A água é outra fonte de contaminação e deve ser considerada não somente pelo seu consumo como água potável, mas também pelo seu uso na fabricação de bebidas e no preparo de alimentos. Sabe-se que a água potável possui baixos teores de cádmio (cerca de 1 mg/l).
O cádmio é um elemento de vida biológica longa e de lenta excreção pelo organismo humano. O órgão alvo primário nas exposições ao cádmio, no longo prazo é o rim. Os efeitos tóxicos provocados compreendem principalmente distúrbios gastrointestinais, após a ingestão do agente químico. A inalação de doses elevadas produz intoxicação aguda, caracterizada por pneumonite e edema pulmonar.
A progressiva utilização do mercúrio para fins industriais e o emprego de compostos mercuriais durante décadas na agricultura resultaram no aumento significativo da contaminação ambiental, especialmente da água e dos alimentos.
Uma das razões que contribuem para o agravamento dessa contaminação é a característica singular do ciclo do Mercúrio no meio ambiente. A bio-transformação por bactérias do mercúrio inorgânico em metil-mercúrio é o processo responsável pelos elevados níveis do metal no ambiente.
O mercúrio é um líquido inodoro e de coloração prateada. Os compostos mercúricos apresentam uma ampla variedade de cores. Mercúrio é teratogênico, ou seja, é responsável pela má formação de fetos e grande parte de nascituros com cegueira.
Nos processos de extração, o mercúrio é liberado no ambiente principalmente a partir do sulfeto de mercúrio. O mercúrio e seus compostos são encontrados na produção de cloro e soda cáustica, e em equipamentos elétricos e eletrônicos, aparelhos de controle, tintas, amálgamas dentárias, fungicidas, lâmpadas de mercúrio, laboratórios químicos, preparações farmacêuticas, detonadores, óleos lubrificantes, catalisadores e na extração de ouro, particularmente em garimpos.
O trato respiratório é a via mais importante de introdução do mercúrio. Esse metal demonstra afinidade por tecidos como células da pele, cabelo, glândulas sudoríparas, glândulas salivares, tireoide, trato gastrointestinal, fígado, pulmões, pâncreas, rins, testículos, próstata e cérebro.
A exposição a elevadas concentrações desse metal pode provocar febre, calafrios, dispneia e cefaleia, durante algumas horas. Sintomas adicionais envolvem diarreia, cãibras abdominais e diminuição da visão. Casos severos progridem para edema pulmonar, dispneia e cianose. As complicações incluem enfisema e morte, raramente ocorrendo falência renal aguda.
Podem ser destacados também o envolvimento da cavidade oral com gengivite, salivação e estomatite, tremor e alterações psicológicas. A síndrome é caracterizada pelo eretismo que é insônia, perda de apetite, perda da memória, timidez excessiva e instabilidade emocional. Além desses sintomas, pode ocorrer disfunção renal.
O cromo é obtido do minério cromita, metal de cor cinza que reage com os ácidos clorídrico e sulfúrico. Além dos compostos bivalentes, trivalentes e hexavalentes, o cromo metálico e ligas também são encontrados no ambiente de trabalho. Entre as inúmeras atividades industriais, destacam-se: galvanoplastia, soldagens, produção de ligas ferrocromo, curtumes, produção de cromatos, di-cromatos, pigmentos e vernizes.
A absorção de cromo por via cutânea depende do tipo de composto, de sua concentração e do tempo de contato. O cromo absorvido permanece por longo tempo retido na junção dermo epidérmica e no estrato superior da mesoderme.
A maior parte do cromo é eliminada através da urina, sendo excretada após as primeiras horas de exposição. Os compostos de cromo produzem efeitos cutâneos, nasais, bronco pulmonares, renais, gastrointestinais e carcinogênicos. Consta que o cromo mais deletério é a modalidade hexa-valente.
Os cutâneos são caracterizados por irritação no dorso das mãos e dos dedos, podendo transformar-se em úlceras. As lesões nasais iniciam-se com um quadro irritativo inflamatório, supuração e formação crostosa. Em níveis bronco pulmonares e gastrointestinais produzem irritação bronquial, alteração da função respiratória e úlceras gastroduodenais.
O manganês é um metal cinza semelhante ao ferro, porém mais duro e quebradiço. Os óxidos, carbonatos e silicatos de manganês são os mais abundantes na natureza e caracterizam-se por serem insolúveis na água.
O composto ciclopentadienila-tricarbonila de manganês é bem solúvel na gasolina, óleo e álcool etílico, sendo geralmente utilizado como agente antidetonante em substituição ao chumbo tetraetila.
Entre as principais aplicações industriais do manganês, estão pilhas secas, ligas não-ferrosas com cobre e níquel, esmalte porcelanizado, fertilizantes, fungicidas, rações, eletrodos para solda, magnetos, catalisadores, vidros, tintas, cerâmicas, materiais elétricos e produtos farmacêuticos. As exposições mais significativas ocorrem através dos fumos e poeiras de manganês.
O trato respiratório é a principal via de introdução e absorção desse metal nas exposições ocupacionais. Os sintomas dos danos provocados pelo manganês no sistema nervoso central são subclínico como astenia, distúrbios do sono, dores musculares, excitabilidade mental e movimentos desajeitados.
Pré-clínicos como transtorno da marcha, dificuldade na fala, reflexos exagerados e tremor, e estágios clínicos como psicose maníaco-depressiva e a clássica síndrome que lembra o parkinsonismo. Além dos efeitos neurotóxicos, há maior incidência de bronquite aguda, asma brônquica e pneumonia.
Não ocorre produzir sensacionalismos baratos ou gerar comoções e exasperações. Ou perturbar a opinião pública. Mas quando se pede responsabilidade com as questões socioambientais, existem motivações técnicas ou científicas relevantes. E desta vez nem é o suprassumo da criatividade humana. Nem se falou em glifosato.
Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.
Referências:
http://www.mundodoquimico.hpg.com.br/
http://praticasescrita.blogspot.com.br/p/meio-ambiente.html
http://www.mundodoquimico.hpg.com.br/
http://praticasescrita.blogspot.com.br/p/meio-ambiente.html
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/12/2018
sábado, 1 de dezembro de 2018
GEOQUÍMICA AMBIENTAL
O conteúdo desta postagem aborda o tema proposto na Atividade de Pesquisa (Atividade 12). Para acessá-lo clique em Geoquímica Ambiental.
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sexta-feira, 23 de novembro de 2018
ALGUNS PRINCÍPIOS DE EXPLORAÇÃO GEOQUÍMICA
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PROSPECÇÃO GEOQUÍMICA
O grau de
sucesso de uma pesquisa geoquímica em um programa de exploração mineral é
muitas vezes um reflexo do cuidado com o planejamento inicial e com o projeto
de pesquisa. Esta fase da atividade é geralmente referida como pesquisa
orientativa; sua importância prática deve ser enfatizada.
Pesquisa Orientativa
Em uma
pesquisa de prospecção geoquímica, quatro considerações básicas devem ser
abordadas: a natureza dos depósitos minerais procurados; as propriedades
geoquímicas dos elementos que podem estar presentes no depósito mineral alvo;
fatores geológicos que possam causar variações geoquímicas do teor de fundo e o
ambiente (paisagem) que possa influenciar a expressão geoquímica do depósito
mineral procurado.
Uma
pesquisa orientativa deve incluir um estudo de um depósito mineral conhecido
semelhante ao que é alvo do programa de prospecção proposto, e que ocorra em
uma configuração geológica e ambiental semelhante. Normalmente isto irá incluir
amostragem de solos, sedimentos de corrente, vegetação e água sobre e ao redor
do depósito, seguido por análises de amostras de múltiplos elementos. O
resultado será uma imagem completa da natureza, intensidade e extensão do trem
dispersão geoquímico secundário, que indica a presença do depósito.
Outros
elementos importantes são: a determinação do teor de fundo, com o qual as
anomalias geoquímicas podem ser comparadas; a avaliação das variações nas
condições de paisagem, ou ambiente geoquímico, dentro da área de pesquisa, seu
provável efeito sobre os mecanismos de dispersão geoquímica e a provável
expressão geoquímica do depósito mineral. Em alguns casos, a paisagem pode
variar muito, desde o terreno áspero da montanha, com pouco solo ou obstáculos
de cobertura e preponderante dispersão mecânica, até ao terreno pantanoso de
baixa altitude coberto por espesso manto, local onde a dispersão geoquímica é
principalmente química. Neste caso, os métodos de prospecção geoquímica
adequados para um ambiente podem ser impróprios para o outro, uma vez que as
expressões geoquímicas de um depósito mineral podem ser bem diferentes. Somente
a experiência e o trabalho orientativo cuidadoso permitirão que estas
diferenças sejam identificadas e avaliadas.
Técnicas de amostragem
A
representatividade é de suma importância na amostragem geoquímica. É essencial
que sejam coletadas amostras adequadas, que sejam representativas do material
amostrado em qualquer localidade. Estes materiais podem ser rochas, águas,
gases, solos, sedimentos de corrente ou vegetação. Sempre que possível, a
amostragem deve ser confinada a um tipo de material para qualquer pesquisa
específica, como um tipo de rocha em pesquisas litogeoquímicas, um horizonte em
levantamentos de solos, ou órgãos de plantas e espécies vegetais em pesquisas
biogeoquímicas. Se for necessário amostrar as variações de ambientes e
materiais diversificados, devem ser aplicados fatores de correlação aos
resultados antes que os padrões
geoquímicos possam ser interpretados de forma eficaz.
As
amostras coletadas durante a pesquisa orientativa são geralmente submetidas à
análise multielementar, que irá mostrar
as técnicas mais prováveis para produzir o máximo contraste entre anomalia e
teor de fundo, e, provavelmente, detectar à maior distância o depósito mineral
alvo. Em muitos casos, o processo de decomposição de amostra que tende a
produzir as anomalias mais proeminentes e extensas é aquele que liberta apenas
uma porção do metal presente nela. Da mesma forma, o reconhecimento da anomalia
é geralmente facilitado pela análise de vários elementos, em vez de apenas um
ou dois de significado econômico mais imediato. No entanto, como no espaçamento
de amostragem, o custo deve ser uma consideração importante na escolha dos
procedimentos analíticos de rotina. A maioria dos procedimentos analíticos
geoquímicos é concebida para detectar elementos em baixas concentrações, tais
como partes por milhão ou partes por bilhão.
Análise de campo
As
técnicas analíticas de água, solo, sedimento de corrente e sedimentos de lago
no local de amostragem são geralmente baseadas em colorimetria. Em geral,
técnicas analíticas de campo determinam íons metálicos livres ligados ou
permutáveis, que são extraídos por citrato, acetato, ou ácido diluído.
Análise laboratorial
Quando é
desejável determinar o teor total de um determinado metal numa amostra, a
análise é geralmente realizada em laboratório. Pode ser utilizada uma ampla
gama de técnicas, mas as mais comuns são espectrografia de emissão e
espectrofotometria de absorção atômica. Esta última técnica é particularmente
adequada para análise geoquímica de
rotina, uma vez que permite que um grande número de amostras sejam analisadas
de forma relativamente rápida e barata com um padrão adequado de precisão.
Pesquisas por prospecção geoquímica
As
pesquisas por prospecção geoquímica se dividem em duas grandes categorias,
estratégicas ou táticas, que podem ser subdivididas de acordo com as amostras
de material. As pesquisas estratégicas
implicam a cobertura de uma grande área (geralmente vários milhares de
quilômetros quadrados), onde o objetivo principal é o de identificar as zonas
de potencial mineral anômalo; as pesquisas
táticas compreendem o detalhamento do reconhecimento estratégico.
Normalmente, a área coberta por uma pesquisa tática é dividida em áreas
distintas de alto potencial mineral no distrito anômalo geral. O meio de
amostra mais comumente usado para prospecção geoquímica estratégica é sedimento
corrente. A amostragem de sedimento de corrente oferece um método relativamente
rápido e confiável de avaliar o potencial mineral de uma grande área. Os
diferentes meios de amostragem podem ser utilizados, no nível tático de
prospecção, na necessidade de amostragem mais detalhada; o solo é o meio mais
comum, mas rocha e vegetação também são usados com freqüência.
As
pesquisas de prospecção geoquímica incluem levantamentos onde os meios de
amostragem são córrego ou sedimentos de lago, águas de nascente ou de lago, e
minerais pesados detríticos, a partir de sedimento de corrente.
Águas naturais
Os teores
de fundo metálicos da maioria das águas naturais são de apenas algumas partes
por bilhão, subindo até umas poucas partes por milhão de certos elementos nas
imediações de depósitos minerais.
As águas
de superfície são amostradas em intervalos regulares ao longo da rede de
drenagem, e um mapa de valores é preparado. Um aumento do teor de metal da água
a montante pode indicar a proximidade de uma zona mineralizada. As pesquisas
com base em águas subterrâneas podem ser feitas apenas quando há uma boa
distribuição de poços, nascentes ou furos de sondagem.
Sedimentos
As
pesquisas de sedimentos e minerais pesados são realizadas para determinar o
caminho de migração dos elementos e minerais dispersos ao longo dos canais de
drenagem superficial em uma área. As amostras são coletadas a partir do
sedimento recente no fundo dos córregos e também a partir de sedimentos antigos
nos terraços e planícies aluviais. Para elementos quimicamente dispersos,
geralmente é utilizada a fração fina (menos de 80 mesh) para análise; para
minerais pesados mecanicamente dispersos, é separada uma fração mais grossa do
sedimento. Os pontos de amostragem são localizados a intervalos ao longo do
comprimento do sistema de drenagem (Fig. 3), e os resultados das análises
químicas dos sedimentos de corrente são plotados em um mapa de drenagem. Um aumento
no teor de metal do sedimento de corrente a montante pode indicar a proximidade
de uma zona mineralizada (Fig. 4). A
fração mineral pesada pode ser examinada microscopicamente para
minerais-minério ou minerais de ganga, ou a fração pode ser analisada para
elementos de minerais-minério ou elementos indicadores. Ambos os resultados são
plotados no mapa de drenagem e os dados são interpretados do mesmo modo que os
sedimentos de corrente.
Levantamentos Geoquímicos de Solo
Geralmente,
tais pesquisas são de natureza detalhada e são executadas sobre uma malha (Fig.
5). Um dos horizontes do solo é escolhido para a amostragem, e o conteúdo
metálico é plotado em mapa e são traçados os contornos. Sob condições
favoráveis, os valores mais elevados ocorrem sobre o depósito, mas
frequentemente o padrão de dispersão é um trem ou um leque que requer
interpretação cuidadosa para localizar sua origem.
Certas
condições geológicas podem exigir que todos os horizontes do solo sejam
amostrados. Freqüentemente, a amostragem do horizonte orgânico é eficaz em
algumas áreas, enquanto em algumas regiões outros horizontes são mais
compensadores. Em alguns lugares, a amostragem profunda de um horizonte através
de perfuração é o único método satisfatório para pesquisas de solo e till glacial.
As
pesquisas de minerais pesados e resistatos de solo, till, e clastos resistentes
tornaram-se cada vez mais úteis. Nestes levantamentos os materiais geológicos
são bateados, e separados os minerais pesados e resistatos. Em seguida, são
examinados microscopicamente para minerais-minério ou analisados para minério e
elementos indicadores; os resultados são plotados em mapas. Mapas de minerais
pesados e resistatos, preparados na mesma malha, como aqueles para os
levantamentos de solos, fornecem dados auxiliares valiosos e muitas vezes
auxiliam na interpretação dos padrões de dispersão dos elementos.
Em
análise de solo, a fração de finos (menos de 80 mesh) é geralmente analisada
para elementos quimicamente dispersos, enquanto que para os minerais pesados e
resistatos é usada a fração grosseira.
Texto extraído e
modificado de: AUTOR: R. F. Horsnail, "Geochemical
prospecting", in AccessScience@McGraw-Hill, http://www.accessscience.com,
DOI 10.1036/1097-8542.285700, last modified: March 29, 2001.
ATIVIDADE:
1. Explique, sem copiar o texto, o que
seja pesquisa orientativa.
2. Distinga pesquisa por prospecção
geoquímica tática e estratégica, informando as diferenças de amostragem entre
elas.
3. Faça um resumo da prospecção
geoquímica por sedimento de corrente.
4. Faça um resumo da prospecção
geoquímica de solo.
5. Quanto aos levantamentos de água,
sedimentos de corrente e solo, quais seriam os métodos de análise química mais empregados
em cada um? Em qual(quais) deles se poderia utilizar métodos de campo?
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ANOMALIAS GEOQUÍMICAS
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sábado, 3 de novembro de 2018
INTEMPERISMO FÍSICO E QUÍMICO
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